Roupa que muda de cor

  Não sei se sou só eu que tenho estes pequenos dilemas, mas no que toca a escolher roupa e conjugar cores para ver o que fica bem ou não, as vezes torna-se difícil. Seria mais fácil se existissem peças de roupa que pudessem mudar de cor, o que me ajudaria imenso às vezes…

  Pois bem, agora existem, pelos vistos, roupa que muda de cor consoante a temperatura, a este fenómeno chama-se termocromismo. Para conseguir este efeito é necessário uma combinação de duas cores: a cor do corante do tecido, que permanece constante, e um corante termo-crómico. Este corante é retido em micro-cápsulas com líquido de poucos micrómetros de diâmetro (com cobertura transparente).

  O líquido é composto por um corante leuco (um corante cujas moléculas podem adquirir duas formas, uma das quais é incolor), um ácido fraco (1,2,3-benzotriazol) e um sal (CH3(CH2)7CHCH(CH2)7COOH3N(CH2)13CH3), dissolvidos em dodecanol. O sal tende a dissociar-se em amina e ácido carboxílico em altas temperaturas, e por isso as cápsulas tornam-se incolores e a cor do tecido fica visível. Em baixas temperaturas a cor do tecido é uma combinação da cor das microcápsulas com a cor do corante do tecido.

  Recentemente uma empresa lançou este tipo de tecido para confecção de roupas para bebés, disponíveis nas cores verde, azul e vermelho. Caso fique branco, significa que a temperatura do bebé ronda os 37º, podendo, então ser um bom indicador para indícios de febre.

 

Andreia Cabral

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A Química do Sono

Todos sabemos a importância de uma boa noite de sono. O que nem todos sabem é que alternância entre o dormir e estar acordado resulta da ação combinada de diversas substâncias químicas no nosso cérebro.

E entre as mais importantes estão a adenosina e a melatonina, duas substâncias com um papel muito ativo na regulação do sono.

A adenosina é um produto secundário do consumo de energia pelo corpo. Os cientistas pensam que a ela se vai acumulando no nosso corpo ao longo do dia, gerando a sensação de cansaço e sonolência que marca o início do processo do sono, sendo depois removida enquanto dormimos, para acordarmos frescos como alfaces! É por isso que adormecemos mais facilmente depois de um dia cansativo e porque nos sentimos cansados quando não dormimos o suficiente!

Um dos mais fortes indícios deste papel da adenosina, é a sua competição com a cafeína. A cafeína liga-se aos mesmos recetores do cérebro que a adenosina, impedindo-a de atuar, o que explica porque é que a cafeína pode impedir-nos de adormecer. Imagine que colocamos pastilha elástica numa fechadura cuja chave é a adenosina; acabamos por conseguir abrir a porta, mas só depois de umas horas a limpar a fechadura.

A melatonina, por seu lado, é uma hormona  produzida pela glândula pineal, uma estrutura no interior do cérebro. A presença de melatonina no cérebro inibe o estado de alerta e contribui para que o sono se instale.

A produção de melatonina é extremamente sensível à luz: é estimulada pelo aproximar da noite, mas é inibida logo que a retina deteta luz. A mais pequena luminosidade já reduz a produção de melatonina, o que explica porque começamos a acordar quando o sol nasce, ou porque há pessoas que só conseguem adormecer em completa escuridão.

Catarina Barata

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A Química da Beleza

Os cosméticos são um excelente exemplo de como as descobertas da Química fazem parte do nosso dia a dia.

A utilização de cosméticos – ou seja, compostos químicos destinados a melhorar a nossa aparência – não é um fenómeno recente. Consta que a rainha egípcia Cleópatra tomava banho em leite, como forma de manter a pele bonita e macia. O que provavelmente até resultava, porque está comprovado que o ácido lático – um dos compostos químicos constituintes do leite – atua sobre as camadas mais profundas da epiderme, promovendo a remoção das células mortas e a renovação da pele.
Na antiga Grécia, três mil anos antes de Cristo, as mulheres usavam pó de carbonato de chumbo para empalidecer o rosto. Infelizmente, sabemos hoje que o carbonato de chumbo é tóxico e é possível que a busca da beleza tenha custado a vida a algumas destas mulheres.

Em muitos casos, estes diferentes produtos cosméticos têm uma forte componente de inovação científica, desenvolvida nos mais modernos laboratórios de investigação. Basta dizer que a indústria de cosméticos foi uma das primeiras a adaptar os novos recursos da nanotecnologia, através do uso de nano partículas para melhorar a qualidade dos seus produtos e satisfazer os anseios dos seus clientes.

As nano partículas são partículas de dimensão intermédia entre a escala dos átomos e a dos materiais macroscópicos. Qualquer coisa como mil vezes maior que o diâmetro de um átomo e mil vezes menor que a espessura de um cabelo.
Esta característica confere-lhes propriedades únicas, e que podem ser moduladas pela alteração do tamanho.
Exemplos típicos da aplicação de nanotecnologia em cosméticos são as nano partículas de dióxido de titânio nos protetores solares (que conferem uma proteção completa sem o efeito de camada branca sobre a pele), a utilização de nano partículas de lípidos sólidos para libertação lenta de fragrâncias em perfumes, ou a criação de nano vesículas como transportadores para garantir uma melhor penetração dos ingredientes ativos na pele.

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Catarina Barata

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A Química dos Post-its

Estão espalhados por todo o lado, colados nas portas, nos computadores, nos frigoríficos e até nas pessoas, e deixaram de ser apenas quadradinhos de papel amarelo para ganharem muitas formas e muitas cores: são os “Post-it”®, os papelinhos que colam e descolam.

A sua história começa em 1968 com uma empresa química que encorajava os seus funcionários a utilizarem 15% do seu tempo de trabalho para testarem ideias inovadoras. Um dos funcionários, um químico que trabalhava com polímeros, tentou produzir uma cola mais forte do que as existentes alterando as proporções na mistura de reagentes.

O que obteve foi um novo polímero adesivo que se organizava em pequenas esferas sobre uma superfície – em vez de a cobrir uniformemente – e que estava longe de ser uma cola forte: colava, mas descolava com a mesma facilidade! E voltava a colar… e a descolar!

Era interessante, era diferente… e completamente inútil. Quem é que quer colar a asa de uma caneca com uma cola que cola … e descola?

A cola falhada ficou sem uma aplicação realmente útil durante anos, até alguém sugerir o uso em marcadores de livros. Mas o sucesso não foi imediato, porque ninguém estava disposto a pagar por um montinho de papéis amarelo canário de utilidade duvidosa. A empresa decidiu então distribuir o produto gratuitamente, porta a porta na cidade americana de Richmond durante um ano. No ano seguinte já havia consumidores viciados… como eu (e aposto) você!

Hoje em dia são dos materiais de escritório mais vendidos no mundo. Um fracasso da química que veio facilitar o seu dia a dia!

Catarina Barata

 

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A Química dos Vitrais

Se já se sentiu deslumbrado perante os jogos de cor e luz dos vitrais, então já sentiu como a química liga bem com a arte e o belo.

A química dos vitrais confunde-se com a própria química do vidro: o vidro é obtido a partir da fusão de areias dedióxido de silício, ou sílica. A sílica é um sólido cristalino, isto é, um sólido com empacotamento regular e repetitivo dos seus átomos que, neste caso, estão organizados em pirâmides contendo um átomo de Silício rodeado por quatro átomos de oxigénio. O vidro forma-se por arrefecimento da sílica fundida, mas em condições que não permitem recuperar este empacotamento regular, dando origem a um arranjo irregular e não repetitivo, ou seja, um sólido amorfo.

E claro que o vidro é também uma receita química! O vidro mais comum é uma mistura de sílica, carbonato de sódio e óxido de cálcio, com parcelas menores de óxidos de alumínio, cloreto de sódio e outros sais, todos com o seu papel: formadores de rede, modificadores de rede ou fundentes.

Os fundentes são substâncias adicionadas à sílica para baixar o seu ponto de fusão. De facto, o ponto de fusão da sílica pura é de cerca de 1700 º Celcius, uma temperatura muito difícil de obter, para mais nos tempos em que os fornos eram a lenha. Por isso, os primeiros produtores de vidro usavam “fundentes” como cinzas vegetais e carbonato de sódio. Só que estes materiais continham diversas impurezas e dessas impurezas resultaram os vidros coloridos!

Os primeiros artesãos não controlavam a cor do vidro produzido, mas quando começaram a perceber a origem da cor, deu-se uma verdadeira explosão de experiências, com o objetivo de descobrir as substâncias mais adequadas para o obter cada cor específica.

Uma busca que envolveu artesãos e alquimistas, mas que teve muitos aspetos de verdadeira investigação científica em química!

Catarina Barata

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A Química do Chocolate

Alguns dos prazeres mais sublimes que temos na vida só existem graças à química. Para o comprovar, hoje falamos do chocolate!

Talvez não saiba, mas a semente de cacau que é colhida do fruto está muito longe de ter o aroma e o sabor que associamos ao chocolate.

O primeiro processo indispensável para formação das substâncias responsáveis pelo sabor do cacau é a fermentação destas sementes, a qual envolve várias reações químicas.

Mas o que importa reter é que é durante este processo que a proteína de reserva das sementes começa a ser decomposta nos seus aminoácidos constituintes.

O passo seguinte é a torrefação, que permite a  evaporação da água e de alguns compostos de cheiro e sabor desagradáveis dos grãos de cacau. Mas a verdadeira maravilha química da torrefação é a cascata de reações que ocorrem entre os aminoácidos formados na fermentação e os açúcares presentes no grão. Estas reações dão origem aos compostos responsáveis pelo aroma e sabor do chocolate (aldeídos, esteres, cetonas, furanos) e formam também os compostos que dão a cor castanha ao grão. O … castanho chocolate!

Antes de podermos desfrutar das delícias do chocolate, falta ainda uma última etapa: a cristalização. O principal responsável pela textura do chocolate, a manteiga de cacau, pode cristalizar de seis formas diferentes, uma propriedade designada por polimorfismo.

O polimorfismo é um arranjo diferente das moléculas para formar o estado sólido, mas desse arranjo resultam diversas propriedades físicas como a cor, o brilho e a temperatura de fusão.

Das seis formas de polimorfismo possíveis para o chocolate só uma tem as características que os consumidores apreciam: apresenta uma superfície sedosa, tem uma textura suave e derrete-se à temperatura da língua.

Infelizmente, esta forma mais saborosa não é a forma mais estável e o último desafio dos fabricantes de chocolate é garantir que todo o chocolate cristaliza na forma correta. Isto só se consegue através de um ciclo de aquecimento e arrefecimento com temperaturas muito controladas.

Se deixar o seu chocolate ao calor, perderá esta forma tão especial e o chocolate vai parecer-lhe sensaborão e difícil de derreter na boca.

Conserve o seu chocolate à temperatura adequada para não desperdiçar os prazeres da química!

Catarina Barata

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A Química do Amor

Pode parecer-vos estranho falar deAmor, quase sempre celebrado como um fenómeno espiritual, por vezes apenas físico, mas raramente visto como resultado da ação de algumas substâncias químicas sobre o cérebro.

Sem querer diminuir aos vossos olhos a força e beleza de tão nobre sentimento, a verdade é que o “Amor” é um complexo fenómeno neurobiológico, baseado em atividades cerebrais que incluem o desejo, a confiança, o prazer e a recompensa e envolvem a ação de um número elevado de mensageiros químicos.

Quando duas pessoas estão apaixonadas, existe mesmo química entre elas: os cientistas já encontraram muitas relações diretas entre os compostos químicos que circulam no nosso sangue e atuam sobre o nosso cérebro e os nossos comportamentos nas diversas fases do Amor.

Numa primeira fase, o desejo sexual é despertado pela circulação das hormonas sexuais, iniciada na adolescência: a testosterona nos homens e o estrogénio nas mulheres.

A segunda fase é a fase da paixão, quando perdemos o apetite, não dormimos, e não pensamos senão na pessoa amada, pela ação de outro conjunto de compostos químicos que  atuam no nosso cérebro, os neurotransmissores: a noradrenalina que acelera o bater do coração, a serotonina que nos torna obcecados, e a dopamina, que nos faz sentir felizes – e um pouco tolos – só com um sorriso ou olhar. Conseguem reconhecer os sintomas?

E porque ninguém consegue manter-se eternamente assim, passamos à terceira fase do Amor, a fase de ligação, garantida pela presença de duas hormonas que se libertam durante o ato sexual: a oxitocina – a chamada a hormona do carinho – e a vasopressina, cuja presença é aparentemente indispensável para garantir a fidelidade dos parceiros sexuais.

 

Catarina Barata

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